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PROPAGANDA ENGANOSA GERA INDENIZAÇÃOSul América e Hiperplan condenadas por propaganda enganosa

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DECISÃO:  *TJ-SC  –  A 4ª Turma de Recursos de Criciúma confirmou decisão do Juizado Especial Cível da Comarca de Tubarão que condenou solidariamente as empresas Sul América Capitalização e Hiperplan Corretora de Seguros ao pagamento de indenização por danos morais e materiais no valor de R$ 12,5 mil em benefício do pedreiro Revardino Oliboni, residente naquela cidade.

Segundo os autos, Oliboni assistiu informe comercial em rede nacional de televisão e sentiu-se atraído por inúmeras vantagens apresentadas pelas empresas na aquisição de um veículo zero quilômetro. Atendeu ao reclame e, através de ligação telefônica, firmou compromisso e passou a efetuar pagamentos bancários na expectativa de receber seu automóvel.

Somente cinco meses após esta data, com o repasse de várias parcelas, é que o pedreiro descobriu tratar-se, em verdade, de um plano de capitalização. O juiz Luiz Fernando Boller, que prolatou a sentença, destacou a nítida existência de vício de consentimento, decorrente da “propaganda enganosa” veiculada pela Sul América Capitalização.

Além da rescisão do contrato e da condenação das empresas, a decisão determinou também o encaminhamento de cópias integrais do processo ao Delegado de Polícia Federal e Ministério Público Estadual e Federal para deflagração das medidas legais pertinentes à apuração de conduta delituosa, bem como ao Conar-Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitária, como forma de alertar sobre o censurável procedimento publicitário veiculado pela Sul América e a Hiperplan em programa transmitido por rede aberta de televisão. (Apelação Cível nº 2007.401111-8 e Ação nº 075.04.003556-0)

 

FONTE:   TJ-SC,  07 de maio de 2008.


DIREITO À SAÚDEDeterminada realização gratuita de cirurgia para redução de estômago

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DECISÃO:  * TJ-RS  – Em decisão monocrática, o Desembargador Paulo de Tarso Vieira Sanseverino do TJRS confirmou tutela antecipada, autorizando a imediata e gratuita realização de “cirurgia bariátrica” ou “gastroplastia” (redução de estômago) em paciente carente. A autora da ação corre risco de agravamento de moléstias em decorrência da obesidade mórbida.  

O tratamento deve ser custeado, solidariamente, pelo Estado do Rio Grande do Sul e pelos Municípios de Eldorado do Sul e de Porto Alegre. Em caso de descumprimento da medida, os entes públicos pagarão multa diária de R$ 100,00.

O Município de Eldorado do Sul agravou da decisão, alegando não ser parte legítima para figurar no processo. Sustentou não possuir hospital estruturado para a realização desse tipo de procedimento cirúrgico. Pediu, ainda, o afastamento da incidência de multa no caso de descumprimento da determinação.

Na avaliação do Desembargador Sanseverino, mostra-se indispensável a realização da cirurgia bariátrica para afastar danos mais graves à parte requerente. Médico que acompanha o caso apontou diversas moléstias na autora, indicando-lhe a intervenção cirúrgica. “Constatado o risco de dano irreparável à agravada, vislumbrando-se a necessária urgência para a concessão da antecipação de tutela, deve ser mantida a decisão na sua íntegra.”

Conforme o magistrado, a Constituição Federal prevê que a saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e ao acesso universal às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. “Essas ações e serviços públicos de saúde devem ser desenvolvidos de forma integrada, embora descentralizada, através de um sistema único do qual fazem parte União, os Estados e os Municípios.”

O relator salientou tratar-se de regime de responsabilidade solidária entre essas três esferas públicas na gestão da saúde como um todo, “inclusive no fornecimento de medicamentos e prestação de serviços de saúde a pacientes necessitados.”

Quanto à cobrança de multa no caso de inadimplemento de fazer, informou que a 3ª Câmara Cível do TJ segue entendimento do Superior Tribunal de Justiça. “Tem mantido a fixação de multa diária carregada ao Estado no caso de descumprimento da medida antecipada, tamanha a urgência e necessidade de garantir a efetividade do provimento judicial nos feitos desta natureza”.

Com essas conclusões, confirmou a decisão do Juiz Newton Carpes da Silva, da 3ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central de Porto Alegre.  Proc. 70023889447

 


 

 

 

FONTE:  TJ-RS,  06 de maio de 2008.

DISCRIMINAÇÃO NO TRABALHOTRT confirma reintegração de empregado dispensado por ser portador do vírus HIV

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DECISÃO:  TRT-MG  –  A 4ª Turma do TRT de Minas Gerais negou provimento a recurso interposto por uma fazenda reclamada e manteve integralmente a decisão da Vara do Trabalho, que determinou a reintegração de reclamante, dispensado por ser portador do vírus HIV (soropositivo). A condenação imposta em 1º Grau abrangeu o pagamento dos salários de todo o período, desde a dispensa, excetuados os meses em que o reclamante esteve afastado pelo INSS, além da indenização por danos morais no valor de R$40.000,00.

Segundo esclarece o desembargador relator, Luiz Otávio Linhares Renault, embora a reclamada não tenha manifestado expressamente que a causa da dispensa tenha sido o fato de o reclamante ser portador do vírus HIV, a prova dos autos apontou para a prática de ato discriminatório. No caso, foram vários os indícios da despedida arbitrária, como, por exemplo, a dispensa do cumprimento de aviso prévio, o que é contrário ao procedimento comum da reclamada.

Destacando a nova função social da empresa que, como fixado no Código Civil de 2002, não mais visa somente ao lucro, mas também a efetividade da justiça social preconizada no Estado Democrático de Direito, o relator chama a atenção para a responsabilidade do empregador, diante desse grave problema social: “A questão do portador do vírus HIV é um problema que precisa ser também enfrentado pelas empresas, que têm importantíssima função social. No plano interno, o estado brasileiro tem tradicionalmente tomado medidas efetivas de inclusão social do aidético, seja através de programas educativos, de distribuição de medicamentos ou até mesmo mediante a possibilidade de movimentação da conta vinculada do FGTS, conforme art. 20, inciso XIII, da Lei 8036/90, regra esta desveladora da intenção do legislador quanto à manutenção do contrato de trabalho”.

Acrescenta o desembargador que, no plano internacional, o Brasil ratificou a Convenção n. 111 da OIT, que trata da discriminação no emprego e reafirma valores como a igualdade de oportunidades e a dignidade, deixando fora de dúvida que a discriminação constitui violação aos direitos enunciados na Declaração Universal dos Direitos do Homem. “Assim, existe base jurídica para coibir-se a dispensa do empregado portador do vírus HIV, quando a distinção injustificada provoca a exclusão, que tem por efeito destruir ou alterar a igualdade de oportunidades ou tratamento em matéria de preservação do emprego, a mais importante forma de subsistência do ser humano” – conclui.

Assim, a conclusão da Turma foi de que a dispensa sem justa causa foi motivada pela discriminação e, portanto, o empregado tem direito à reintegração, com base no princípio constitucional da igualdade. “A simples e mera alegação de que o ordenamento jurídico nacional não assegura ao portador do vírus HIV ou ao aidético o direito de permanecer no emprego não é suficiente a amparar uma atitude altamente discriminatória e arbitrária que, sem sombra de dúvida, lesiona o princípio da isonomia insculpido na Constituição da República Federativa do Brasil” – frisa o relator.  (RO nº 00864-2007-072-03-00-3)

 


 

FONTE:  TRT-MG,  07 de maio de 2008.

VÍNCULO EMPREGATÍCIOTRT reconhece vínculo entre captadora de imóveis e imobiliária

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DECISÃO:  * TRT-MG  –   A 1ª Turma do TRT-MG, com base em voto do juiz convocado José Marlon de Freitas, reconheceu a existência de relação de emprego entre uma captadora de imóveis e a imobiliária à qual prestava serviços, modificando sentença que havia julgado improcedentes os pedidos de verbas trabalhistas decorrentes do vínculo empregatício. É que foi constatado que a reclamante trabalhava com todos os requisitos da relação de emprego – a pessoalidade, a habitualidade, a subordinação e a remuneração – e, além do que, a autora não possuía registro CRECI, necessário à atuação dos corretores autônomos. 

Assim, segundo esclarece o relator, a relação em emprego se afirma sobre qualquer contrato que tenha sido assinado, já que o contrato de trabalho é pautado pela realidade vivida pelas partes. “A inserção da autora na atividade-fim da reclamada fragiliza sua tese de trabalho autônomo, vez que autônomo é aquele que trabalha por conta própria, estabelecendo livremente o seu ‘modus operandi’, sem qualquer dependência ou mesmo engajamento a serviço de outrem”- frisa. No caso, o fato da reclamante não poder participar do plantão de captação de novos clientes se chegasse após as 9h da manhã, já constituía uma penalidade que a forçava a chegar à empresa no horário pré-determinado. A prova oral também deixou claro que a autora tinha horário a cumprir, embora contasse com certa flexibilidade.

O juiz relator destaca que o trabalho desenvolvido pelos membros da mesma equipe, como o dos corretores que captam, iniciam e finalizam vendas, não descaracteriza a pessoalidade da prestação de serviços, mas configura verdadeiro trabalho em equipe dentro da empresa: “Por óbvio, a reclamante não poderia se fazer substituir por outra pessoa qualquer, que não estivesse ligada à reclamada, até porque isto afrontaria o art. 20, I, II e VI da Lei 6.530/1978, e, não raro, facilitaria a captação de clientes e imóveis inscritos na reclamada por outros corretores e imobiliárias, gerando concorrência desleal com a empresa”.

Rejeitando o argumento da ré de que a corretora poderia ir embora no horário em que quisesse, o juiz lembra que, sendo comissionista pura, se a corretora faltar ou se ausentar com freqüência, não receberia as comissões de vendas no final do mês. E conclui: “Sem dúvida, o pagamento de comissões é uma antiga forma de dominação, praticada no taylorismo, que volta com toda energia: quebra a solidariedade entre os empregados, força a produção e o sobrelabor. Dessarte, assiste-se na flexibilização do Direito do Trabalho, a volta da fragmentação do salário-fixo, através da participação de bônus, prêmio, salário produção, gratificação e comissões. Esta política salarial, amplamente aceita pela Jurisprudência, faz com que o empregado participe dos riscos do negócio: se produzir mais, ganha mais. Se não houver lucro, também o seu salário se deteriora” – pontua o relator.

Por esses fundamentos, a Turma deu provimento ao recurso ordinário interposto pela reclamante para reconhecer o seu vínculo de emprego com a reclamada e determinar o retorno do processo à Vara de origem para julgamento dos demais pedidos da autora.  (RO nº 01139-2007-109-03-00-4)


FONTE:  TRT-MG, 02 de maio de 2008.

DANO MORAL POR OMISSÃO NO ATENDIMENTO Justiça condena Unimed por ilegal negativa de cobertura

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DECISÃO:  TJ-SC  –  A 3ª Câmara de Direito Civil do TJ, em processo sob relatoria da desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta, condenou a Unimed Litoral Cooperativa de Trabalho Médico da Região da Foz do Rio Itajaí Açu a custear a cirurgia de cateterismo da conveniada Almira Meirinho Cabral, bem como ao pagamento de R$ 12 mil por danos morais pela ilegal negativa de cobertura.

Após dez anos de convênio, Almira foi submetida à internação em UTI, em decorrência de um quadro de angina instável, para a desobstrução de uma artéria coronária comprometida. Não resolvido o problema com medicamentos, constatou-se a necessidade de um cateterismo cardíaco.

Embora a paciente afirmasse que seu plano cobria tal procedimento, a Unimed alegou ausência de cobertura contratual para o caso. O magistrado de 1º grau julgou procedente o pedido de cobertura, uma vez que restou comprovada a conduta ilícita da Unimed, porém, entendeu que o caso não era indenizável.

Entretanto segundo a relatora do recurso, "é crível o sofrimento, a aflição e o desalento que a conduta da ré acarretou na esfera íntima da autora que, após mais de 10 anos pagando o plano de saúde (…) viu-se desamparada, restando a ela a incerteza acerca da concretização de seu tratamento e, evidentemente, de seu estado de saúde".

Quanto ao valor indenizatório, levou-se em consideração o grau de reprovabilidade da conduta, a intensidade do sofrimento dela derivado e a capacidade econômica da lesante. A decisão foi unânime. (Apelação Cível n.º 2007.059481-4)


FONTE:  TJ-SC, 02 de maio de 2008.

CRIME DE DESOBEDIÊNCIAAgente público pode responder a processo por crime de desobediência

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DECISÃO:  * STJ  –  É perfeitamente possível agente público responder a processo por crime de desobediência. A conclusão é da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça, ao negar habeas-corpus para trancar ação penal contra o ex-prefeito José Everaldo de Oliveira de Poço Verde, Estado de Sergipe, acusado de negar informações sobre realização de concurso solicitadas pelo Ministério Público.

Segundo a acusação, quando era prefeito ele teria praticado o crime previsto no artigo 10 da lei 7347/85, por não ter respondido a ofício do promotor de justiça da comarca. O pedido foi feito durante investigações do Inquérito Civil nº 01/99, instaurado para apurar a regularidade da realização de concurso público para provimento de cargos no Poder Executivo.

Diante da condenação em pena mínima e da ausência de provas do envolvimento do acusado em outros processos, o procurador de justiça propôs a suspensão condicional do processo, ficando o prefeito de comparecer à Justiça, a cada três meses, durante dois anos, para informar e justificar o cumprimento das condições estabelecidas.

No habeas corpus dirigido ao STJ, a defesa alegou constrangimento ilegal. Em liminar pediu a suspensão da obrigatoriedade do comparecimento trimestral à sede do Juízo para cumprir o sursis processual, e no mérito, o reconhecimento da atipicidade da conduta e o conseqüente trancamento da ação penal.

“Incontestável a atipicidade da conduta do paciente, quer porque não se apresenta como possível agente público praticar o crime de desobediência”, afirmou o advogado. “Quer porque não fora preenchido o requisito do tipo penal contido no artigo 10, lei 7437/85, uma vez que o documento solicitado fora entregue e a ação civil pública ajuizada”, completou.

Em parecer, o Ministério Público opinou pelo não conhecimento do habeas corpus. Segundo afirmou, se o paciente aceitou a suspensão condicional do processo, oferecido pelo Ministério Público, não há interesse de agir para a propositura da ação.

A Quinta Turma negou o pedido de habeas corpus para trancar a ação penal, observando que o agente público pode, sim, responder pela prática de crime de desobediência. “A denúncia demonstra, de forma clara e objetiva, o fato supostamente criminoso, com todas as circunstâncias, inclusive, evidenciando a indispensabilidade, para a propositura da ação civil pública, dos dados técnicos solicitados, nos termos do que prevê o tipo penal”, considerou a relatora do caso, ministra Laurita Vaz.

Ao negar o habeas corpus, a ministra lembrou, ainda, que o trancamento da ação penal pela via de habeas corpus é medida de exceção. “Só é admissível quando emerge dos autos, de forma inequívoca, a inocência do acusado, a atipicidade da conduta ou a extinção da punibilidade”, ressaltou.


FONTE:  STJ, 30 de abril de 2008.

CONTRANGIMENTO GERA DANO MORALFormanda que sofreu constrangimentos em festa de formatura ganha indenização

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DECISÃO:  TJ-DFT  –    Ao chegar ao baile, formanda não tinha mesas reservadas para ela e seus convidados

A Arte & Foto foi condenada a indenizar uma formanda que sofreu constrangimentos em sua festa de formatura. Ao chegar ao baile, seu nome não constava da lista de formandos e não havia mesas reservadas para ela e seus convidados. A 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal fixou o valor da indenização pelos danos morais em R$ 6 mil. Para os juízes, a empresa que presta serviços na área de eventos e negligencia nos deveres contratados deve indenizar a pessoa a quem causou danos. O julgamento foi unânime.

A autora do pedido de indenização afirma que contratou os serviços da Arte & Foto para participar de culto, missa, colação de grau e baile de formatura. Contudo, ao chegar ao seu baile de formatura, ocorrido no dia 26 de março de 2006, seu nome não estava na lista de formandos. Além disso, teve de aguardar uma hora e quarenta minutos para que fossem montadas mesas de forma precária para recebê-la juntamente com seus 15 convidados. A autora alega que foi alvo de chacotas e de constrangimentos por causa do ocorrido.

Em contestação, a Arte & Foto nega ter causado constrangimentos à autora da ação judicial e afirma que a formanda foi compensada, uma vez ter sido a única que pôde escolher a localização de sua mesa. Porém, o relator do recurso, juiz Esdras Neves, diz lamentar que a empresa não tenha avaliado a dimensão do dano que causou à formanda. De acordo com o juiz, a ré causou danos de elevada gravidade à autora, estando provada a situação dramática na qual ela e seus convidados foram postos em plena festa de formatura.

“A autora labutou por vários anos, até alcançar o sucesso de sua formatura. Todavia, quando se reúne com parentes, amigos e demais formandos para comemorar o fato, é golpeada já na chegada da cerimônia que deveria ser festiva, com o nome fora da relação de formandos, com a ausência de mesa, com a negligência intensa, com a prestação de serviços precária e marcadamente viciada, em flagrante violação às normas legais e contratuais vigentes”, ressalta o relator em seu voto, seguido pelos demais julgadores.

Segundo o relator, decorre da teoria da atividade que todos aqueles que pretendem atuar no mercado de consumo devem estar conscientes de que não podem fornecer bens nem serviços com vícios ou defeitos. E, se isso ocorre, respondem objetivamente pelos danos causados. “Dramas como o vivido pela autora, em plena festa de formatura, em decorrência direta e inevitável da prestação viciada de serviços pela ré devem ser bem avaliados, para que o caráter repressivo, preventivo e pedagógico da indenização não seja perdido”, diz.

Nº do processo:2006.01.1.067763-5


FONTE:  TJ-DFT, 30 de abril de 2008.

 

ANIMAL DE ESTIMAÇÃO Juiz autoriza que animal de estimação seja mantido em apartamento

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DECISÃO:  TJ-GO  –    O juiz Aureliano Albuquerque Amorim, da 4ª Vara Cível de Goiânia, reconheceu ser ilegal a proibição da manutenção de um cachorro da raça shitsu em um apartamento situado no Condomínio Residencial Oliveira Lôbo. A proibição consta da convenção entre condôminos e, por terem se recusado a retirar o animal de casa, os moradores de um apartamento foram multados. O juiz, embora tenha determinado a retirada da multa, não declarou nula a cláusula que proíbe animais no local, sob a justificativa de que ela poderá vir a ser aplicada em outra circunstância, em que o prejuízo para os moradores for evidente. 

A medida foi requerida pela família de Wanda Alencastro Veiga sob a alegação de que possui um shitsu de porte pequeno, que quase não late e nunca transita nas partes comuns do edifício. Apesar disso, conforme relatam os donos do cachorro, o condomínio os notificou para que o retirassem do prédio e, diante de sua recusa, aplicou-lhes multa de 100% da taxa condominial.  

Embora admitindo que as normas de um condomínio devem ser seguidas para que o ambiente de convívio seja harmonioso, o juiz ponderou que tais regras não podem se sobrepor ao direito de qualquer pessoa, de possuir um animal de estimação, desde que este não provoque prejuízos aos moradores. “Possuir animais de estimação é um direito de cada pessoa, servindo inclusive para atender aos anseios de desenvolvimento afetivo e emocional dos filhos e até dos adultos. É comum que tais animais exerçam grande importância no seio familiar, provocando inclusive sentimento de tristeza ante sua perda”, comentou o magistrado.

Para o juiz, a cláusula proibitiva deve ser aplicada, mas não de forma indiscriminada. “A presença de animais de pequeno porte, que por suas circunstâncias de fato não represente qualquer influência negativa no modo de vida do condomínio não pode ser atingida por uma cláusula dessa natureza”, ponderou.

FONTE:  TJ-GO, 02 de maio de 2008.


CARÊNCIA DE AÇÃO Não cabe ação por discordar de jogo

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DECISÃO:  *TJ-MG  – A eliminação de um candidato do "Show do Milhão" que teria respondido de maneira incorreta a uma pergunta, mas não concordado com a resposta dada como certa pelo programa, não caracteriza "um erro crasso que necessite de reparação judicial". Esse foi o entendimento dos desembargadores José Flávio de Almeida (relator), Nilo Lacerda (revisor) e Alvimar de Ávila (vogal), da 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que seguiram a decisão do juiz da 1ª Vara Cível da comarca de Patos de Minas, José Humberto da Silveira.

O jogador foi eliminado do programa ao afirmar que o plural de “quantum” é “quantuns”. Segundo a organização do programa, seu plural é “quanta”.

Apesar de afirmar que a “ingerência do Poder Judiciário em certames privados, interferindo no mérito das questões, somente pode ser admitida em casos excepcionais se demonstrado o erro jurídico grosseiro na sua formulação e correção”, como ilegalidade no edital ou nos atos praticados na aplicação da disputa, os desembargadores verificaram qual era, oficialmente, o plural da palavra latina. Eles acompanharam a pesquisa feita pelo juiz que elucida a questão.

Na análise, o juiz explica que, “por força da Lei 5.756/71, a Academia Brasileira de Letras foi incumbida de atualizar e elaborar vocabulário ortográfico da língua portuguesa e, após esse trabalho, ficou estabelecida a forma oficial para o plural de tal palavra como sendo quanta”. Ele buscou a informação no site dessa entidade e acrescentou, ainda, que dicionários recentes também adotam tal vocábulo. E incluiu nos autos as referidas consultas. “Desse modo, como o jogo envolvia conhecimentos gerais, é pressuposto que o autor, como concorrente, tivesse ciência dessas alterações ortográficas”, esclarece.

Além disso, segundo o juiz, o autor não demonstrou o contrário em momento algum durante o desenrolar do processo, ou seja, não há provas de que a forma oficial não fosse a resposta dada como correta pelo programa, nem que a divergência entre os dicionários apresentados pelo jogador fossem contemporâneas a sua eliminação no concurso.

Tanto para o juiz como para os desembargadores, a eliminação do concorrente no programa “não foi injusta ou ilegal, o que impede o reconhecimento da procedência dos pedidos”.    Processo nº: 1048001027195-9/001


FONTE

:  TJ-MG, 30 de abril de 2008.

Os bens ambientais em pról da dignidade humana

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*Clovis Brasil Pereira 

SUMÁRIO:  1. O conceito legal de meio ambiente    2.  Classificação do meio ambiente     2.1.  Meio ambiente natural     2.2.  Meio ambiente artificial       2.3.  Meio ambiente do trabalho     2.4.  Meio ambiente cultural      3.  O meio ambiente e a dignidade humana

 


 

1.  O conceito legal de meio ambiente 

O legislador brasileiro, assim define meio ambiente, na Lei nº 6.938/81: 

“Art. 3º – Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:

I – meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, obriga e rege  a vida em todas as suas formas”. 

Trata-se de um conceito amplo, que foi posteriormente solidificado, no artigo 225 da Constituição Federal de 1988, e segundo Marcelo Abelha Rodrigues[1],  

“… não retrata apenas a idéia de espaço, de simples ambiente, mas, pelo contrário, vai além, para significar, ainda, o conjunto de relações (físicas, químicas e biológicas) entre os fatores vivos (bióticos) e não vivos (abióticos) ocorrentes nesse ambiente e que são responsáveis pela manutenção, abrigo e regência de todas as formas de vida existentes nesse ambiente.  […]  proteger o meio ambiente significa proteger o espaço, o lugar, o recinto que abriga, que permite e que conserva todas as formas de vida.  […] Assim, o meio ambiente corresponde a uma interação de tudo que, situado nesse espaço, é essencial para a vida com qualidade em todas as suas formas.”

 

A conceituação trazida na Lei nº 6.938/81, colocou o homem num papel de destaque,  como sendo o centro de todo o processo preservacionista,  com objetivo de preservá-lo, assim como os demais seres, dos efeitos danosos, causados pela  devastação ambiental em suas formas, notadamente, as causadas pela poluição. 

Assim, o mesmo artigo 3º, da Lei 6.938/81, ao tratar da caracterização do meio ambiente, e do caráter protecionista atribuído pelo legislador, em seis incisos, assim relaciona os casos que merecem a tutela e  proteção.

 

“Art. 3º:  Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:

 I- ………………………………………………………………….

 II – degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das características do meio ambiente; 

III – poluição,  degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que diretamente ou indiretamente:

 

a)   prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;

 

             b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;

 

c)   afetem desfavoravelmente a biota;

 

d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;

 

e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos;

 

IV – poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental;

 

V – recursos ambientais: a atmosfera, as águas  interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora”.  

Posteriormente, a Constituição Federal deu um passo adiante, pois além de garantir ao homem a posição central na preservação ambiental, criou  condições para  sua inserção e integração ao ecossistema,  pelas disposições contidas no artigo 1º, III – proteção à dignidade da pessoa humana -, artigos 182, 215, 216, V, e ainda o artigo 225, ao garantir que o bem ambiental é de uso comum do povo.   

2.  Classificação do meio ambiente 

Embora o conceito de meio ambiente seja unitário, pois  “é regido por inúmeros princípios, diretrizes e objetivos que compõem a Política Nacional do Meio Ambiente”[2],  a divisão e classificação  tem por finalidade única, identificar a atividade degradante e o bem imediatamente agredido, para melhor avaliar o aspecto e os valores que mais foram atingidos, identificando-se nesse quadro, o meio ambiente natural, artificial, cultural e do trabalho. 

2.1 – O meio ambiente natural 

O meio ambiente natural, consiste tradicionalmente, no solo, água, ar atmosférico, flora e fauna, e recebia a tutela antes mesmo da Constituição Federal de 1988, que efetivamente, deu nova dimensão e alcance à proteção e à tutela ambiental. 

O meio ambiente natural é tutelado pelo caput  do artigo 225, pelo parágrafo 1º, incisos I e VII, que estabelecem: 

“Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para  as presentes e futuras gerações.

 

§ 1º. Para assegurar a efetividade desse direito,, incumbe ao Poder Público:

 

I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas:

 

(…)

 

VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldades”.

 

Para garantir efetividade a essa nova concepção de meio ambiente, segundo a lição de Marcelo Abelha Rodrigues,[3]  

 

“(…) cabe ao homem tutelar o meio ambiente, mantendo o equilíbrio ecológico, porque este é essencial à sadia qualidade de vida. A proteção dos bens ambientais visa justamente à manutenção deste equilíbrio. Num estado que preza o princípio da dignidade da pessoa humana não se podem admitir práticas cruéis contra bens ambientais que componham a biota (fauna e flora). Como seres vivos essenciais à vida do homem, porque responsáveis pelo equilíbrio ecológico, a sua proteção é imperativa, inclusive, como se disse, para a sobrevivência do ser humano, que é integrante do ecossistema. As vedações à prática de atos cruéis aos animais e vegetais decorrem do fato de que não se pode admitir a prática de atos indignos contra qualquer ser vivo.” 

O conceito de meio ambiente  utilizado pelo legislador pátrio, se mostra amplo e abstrato, pois não se conteve em tratar o meio ambiente como o produto da interação  (química, física e biológica) de fatores bióticos e abióticos, responsáveis pela conservação da vida, como também se preocupou com o meio ambiente, numa  abrangência maior,  notadamente quanto à poluição, no tocante a proteção contra as atividades que, de forma direta ou indireta,  prejudiquem   a saúde, a segurança e o bem-estar da população, criem condições adversas às atividades sociais e econômicas ou afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente.  

Essa grande amplitude e abstração do conceito de meio ambiente, acaba criando dificuldades para um eficaz  regulamentação normativa, em razão da dificuldade em identificar de forma concreta, o objeto da tutela. 

Para Marcelo Abelha Rodrigues, 

“… a adoção de um amplo e abrangente conceito de meio ambiente não lhe é benéfico, mas muito pelo contrário, faz com que não se tenha um conjunto de normas homogêneo, concentrado e efetivo ao seu alcance. E a causa disso não é outra senão porque o meio ambiente já seria esparsamente tutelado por todas as ciências específicas. Em outras palavras, a inexistência de uma definição precisa, que identifique concreta e juridicamente qual o bem ambiental, não permite que ele seja tratado como um direito autônomo, justamente porque a sua proteção seria fracionada nos diversos direitos que garantem o bem-estar e a qualidade de vida”.[4] 

Numa análise sumária do meio ambiente natural, a Lei 6.938/81, que foi integralmente recepcionada pelo texto constitucional de 1988,  em seu artigo 3º, trata do bens ambientais naturais que merecem a proteção especial, pois são bens de uso comum do povo, e como tal, podem ser desfrutados por todas as pessoas. 

Assim, dentro do caráter protecionista atribuído pelo legislador, merecem especial proteção e tutela, os recursos naturais representados pela atmosfera, as águas  interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora, pois todos são essenciais à sobrevivência  das pessoas, com um mínimo de dignidade humana.  

Igual destaque mereceu a prevenção da poluição, representada pela degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que diretamente ou indiretamente:  a)   prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;  b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;  c)   afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. 

O legislador, no mesmo artigo 3º, classificou o poluidor, como  a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental, responsabilizando-o, civil e criminalmente, pelos danos causados ao meio ambiente natural.   

2.2 –  Meio Ambiente Artificial 

O legislador constituinte, ao estabelecer que todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, e que isso se constitui em um bem de uso comum do povo, não se referiu, por certo, apenas aos recursos naturais (água, solo, ar, fauna, flora, etc.), mas sim a um conceito mais amplo e elástico, que tutela a  vida em todas as suas formas,  e que compreende, obviamente, os componentes artificiais, tais como ruas, praças, bens culturais artificiais, dentre outros. 

É o que veio se chamar de meio ambiente artificial, responsável pelo ecossistema social, e que tem como objeto a proteção de componentes artificiais, urbanos, e que são responsáveis diretamente pela qualidade de vida das pessoas. 

O meio ambiente artificial, segundo o Prof. Celso Antonio Fiorillo[5],  

“(…) é compreendido pelo espaço urbano construído, consistente no conjunto  de edificações (chamado de espaço urbano fechado), e pelos equipamentos públicos (espaço urbano aberto). Dessa forma, todo o espaço construído, bem como todos os espaços habitáveis pelo homem compõem o meio ambiente artificial”. 

O meio ambiente artificial, ganhou tutela na Constituição Federal de 1988, em vários dispositivos que tratam da Política Urbana, dos quais são destacados: 

Artigo 5º, caput, que garante aos seus habitantes, o direito à vida, à segurança, à igualdade, à propriedade e à liberdade, o que só pode ser atingido, quando a cidade cumprir sua função social;

Artigo 5º, XXII, que estabelece a respeito da função social da propriedade;

Artigo 6º, que garante aos brasileiros e aos estrangeiros que vivem no solo brasileiro, o chamado piso vital mínimo, compreendido  pelos direitos sociais à educação, à saúde, ao lazer, ao trabalho, à previdência social, à maternidade, à infância e aos desamparados;

Artigo 21, XX, que dispõe sobre a competência da União para instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos;

Artigo 30, VII, que atribui ao Município a competência de promover o adequado ordenamento territorial,, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano, bem como a competência suplementar residual trazida pelos incisos I e II do mesmo artigo.

Artigo 182,  que prescreve:  “A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes”.

 Artigo 225, estabelece que “todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preserva-lo para as presentes e futuras gerações”.  

Posteriormente, através da Lei nº 10.257/2001, denominada de Estatuto da Cidade, foi criada a norma regulamentadora de maior importância para o meio ambiente artificial. 

Pelo aludido diploma legal, foram disciplinados, não apenas o uso da propriedade urbana, mas principalmente as diretrizes do meio ambiente artificial, fundado no equilíbrio ambiental (artigo 1º, parágrafo único do Estatuto), em perfeita consonância com a disciplina dos artigos 182 e 183 da carta magna. 

Conforme lição de Celso Antonio Pacheco Fiorillo, a respeito do objetivo do legislador, 

“… foi o de tratar o meio ambiente artificial não só em decorrência do que estabelece constitucionalmente o art. 225 da CF, na medida em que a individualização dos aspectos do meio ambiente tem puramente função didática, mas também em decorrência do que estabelecem os arts. 182 e 183 da Constituição Federal no sentido de direcionar aos operadores de direito facilidade maior no manejo da matéria, inclusive com a utilização dos instrumentos jurídicos trazidos fundamentalmente pelo direito ambiental constitucional brasileiro[6]. 

No entendimento do Prof. Celso Antonio Pacheco Fiorillo,  o meio ambiente passou a receber uma tutela mediata, pelo artigo 225 da Constituição Federal, e uma tutela  imediata, com a regulamentação dos artigos 182 e 183, pelo Estatuto da Cidade.  

Dentre os direitos garantidos no texto constitucional, e posteriormente, no Estatuto da Cidade, a brasileiros e estrangeiros residentes no país,  para o alcance de cidades sustentáveis, destacam-se: 

      • O direito à terra urbana e à moradia (artigo 2º, I, do Estatuto), como forma do exercício do direito à casa (art. 5º, XI, da CF), para que possam ter um local destinado a assegurar um asilo inviolável com a finalidade de garantir fundamentalmente seu direito à intimidade (art. 5º, X, seu direito à vida privada (art. 5º, X),  o direito à moradia (art.  6º), elevado ao status de direito constitucional, face a Emenda Constitucional nº 26/2000, assim como a organização de sua família (arts. 226 a 230);
      • O direito ao saneamento ambiental,  que consiste em disponibilizar alguns materiais fundamentais à sobrevivência humana, com o mínimo de dignidade, representados pelo o direito ao uso de águas, potável ou destinada à higiene, direito  a esgoto sanitário, direito ao ar atmosférico e sua circulação e direito ao descarte de resíduos;
      • O direito ao transporte,  com a disponibilização dos meios necessários destinados a sua livre locomoção, assegurando  vias para circulação das pessoas, meios de transporte adequado e seguro, bem como o escoamento dos produtos fundamentais para as relações econômicas e de consumo.
      • O direito aos serviços públicos, garantidos a brasileiros e estrangeiros residentes no país, na condição de consumidores em face do Poder Público municipal, que está obrigado, na condição de fornecedor de serviços, manter estes, de forma suficiente e de qualidade, quanto a rede de esgotos, abastecimento de água, gás e energia elétrica, coleta de lixo, captação de águas pluviais, dentre outros.
      • O direito ao trabalho, entendido como toda e qualquer atividade humana vinculada à transformação dos recursos ambientais (basicamente meio ambiente natural), visando satisfazer determinadas necessidades da pessoa humana, conforme a previsão do artigo 2º, I, do Estatuto da Cidade, devendo tal direito, estar garantido como diretriz a ser observada no planejamento da política urbana de cada cidade.
      • O direito ao lazer, que garante ao exercício de atividades prazeirosas no âmbito das cidades, sem o que, não há de se falar em garantia da dignidade humana, e o alcance do piso vital mínimo, preconizado no artigo 6º da Constituição, do qual o lazer é parte integrante, e  assegurado a brasileiro e estrangeiros residentes no País, seja com a realização de atividades culturais (salas de cinema, teatros), seja com atividades lúdicas (áreas para prática de esportes, praças para passeio e descanso, áreas arborizadas, etc.) e que são indispensáveis para a preservação da saúde das pessoas. 

A garantia e a eficácia do direito ambiental artificial, depende  de um bem elaborado Plano Diretor, exigido para todas as cidades com mais de  20 mil habitantes, com um planejamento adequado da aplicação dos recursos públicos, para atendimento das necessidades básicas da população.  

Para possibilitar a participação efetiva da população, no planejamento urbano, elegendo as  preferência no atendimento, dentro das possibilidades orçamentárias de cada cidade, é de suma importância a gestão orçamentária participativa, prevista no artigo 4º, III, f, do Estatuto da Cidade, sendo este um instrumento democrático de singular importância, para o exercício da cidadania.     

2.3 –  Meio ambiente do Trabalho 

Constitui-se o meio ambiente do trabalho, do local onde as pessoas  desenvolvem as atividades laborais,  em caráter remunerado ou não.

O equilíbrio buscado no meio ambiente do trabalho consiste na salubridade do meio,, e na ausência de agentes que possam comprometer a incolumidade físico-psiquica dos trabalhadores em geral, independentemente da qualificação, do sexo, da remuneração e do enquadramento profissional. 

A preservação do meio ambiente do trabalho, como garantia fundamental à dignidade humana, recebe na Carta Magna, tutela mediata, no artigo 225, e imediata, no seu artigo 200, VIII, que estabelece: 

“Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei:

(…)

VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho”.

É importante a distinção feita entre a proteção do direito do trabalho, da assegurada ao meio ambiente do trabalho, citada por Celso Antonio Pacheco Fiorillo[7], 

“(…) porquanto esta última busca salvaguardar a saúde e a segurança do trabalhador no ambiente onde desenvolve suas atividades. O direito do trabalho, por sua vez, é o conjunto de normas jurídicas que disciplinam as relações jurídicas entre empregado e empregador”.  

Dentre os instrumentos colocados pelo legislador constitucional e infraconstitucional, para garantir  o meio ambiente do trabalho, destacamos:

      • Embargo, interdição e a greve: A segurança e a saúde no trabalho, são objetivos essenciais do meio ambiente do trabalho.  A Constituição Federal fixou, em seu artigo 196, um patamar básico a ser observado, como direito fundamental de saúde, ao expressar que: 

“Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. 

Com a garantia constitucional do direito à saúde, tem irrestrita aplicabilidade as normas insertas na Consolidação das Leis do Trabalho (art. 161), e particularmente, na Constituição do Estado de São Paulo (art. 229, § 1º), que possibilitam a interdição da empresa e o embargo da obra,  e se constituem em instrumentos de proteção, com a  finalidade eliminar a insalubridade do meio ambiente do trabalho. 

Tanto o embargo de obra, quanto a interdição da empresa, poderão ser requeridos pela DRT – Delegacia Regional do Trabalho, por agente de inspeção do trabalho ou ainda por entidade sindical. 

      • Greve Ambiental:  A greve de uma forma geral, é um instrumento constitucional, previsto no artigo 9º,  conferido ao empregado das empresas privadas, para autodefesa de seus interesses.  Particularmente, quando se trata de reclamar da insalubridade do seu meio ambiente do trabalho, e que coloca em risco o direito à saúde, garantido no artigo 196, da Constituição Federal, pode se socorrer da greve ambiental, para defesa de seus direitos. 

Quanto aos servidores públicos civis, igual direito de greve, é garantido e disciplinado pelo artigo 37, VII, com as alterações introduzidas pela EC nº 19, de 4 de junho de 1998, e certamente, em casos de violação do direito à saúde, decorrente de meio ambiente do trabalho, tal direito pode ser também exercido.  

A Constituição do Estado de São Paulo,  também prevê esse instrumento de defesa, em seu artigo 229, § 2º, embora não tenha o legislador feito referência específica ao vocábulo greve, ao garantir proteção nas relações do trabalho, ao prever que:

“Art. 229  ……………………………………………………………………

(…)

§ 2º. Em condições de risco grave ou iminente no local de trabalho, será lícito ao empregado interromper suas atividades, sem prejuízo de quaisquer direitos, até a eliminação do risco”. 

Observa-se ainda que, pela previsão contida na CLT e da própria Constituição Estadual, o empregado receberá regularmente o salário a que faz jus, não sendo lícito ao empregador descontar os dias em que ocorrer paralisação, decorrente do embargo ou da interdição, uma vez que a garantia a um sadio ambiente de trabalho, é preceito constitucional que contribui para dignidade humana. 

2.4  –  Meio ambiente cultural 

No artigo 216 da Constituição Federal, está contido o conceito de meio ambiente cultural, assim descrito:

“Art. 216.  Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:

 

I – as formas de expressão;

 

II – os modos de criar, fazer e viver;

 

III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas;

 

IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais;

 

V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.”

 

Na lição de Celso Antonio Pacheco Fiorillo e Marcelo Abelha Rodrigues[8] 

“O bem que compõe o chamado patrimônio cultural traduz a história de um povo, a sua formação, cultura e, portanto, os próprios elementos identificadores de sua cidadania, que constitui princípio fundamental norteador da República Federativa do Brasil”.             

Para o Prof. José Afonso da Silva[9], o meio ambiente cultural, 

“(…) é integrado pelo patrimônio histórico, artístico, arqueológico, paisagístico, turístico, que embora artificial, em regra, como obra do homem, difere do anterior (que também é cultural) pelo sentido de valor especial” 

Todo o bem, de natureza difuso, referente a cultura, identidade e memória de um país e de seu povo, é considerado como patrimônio cultural, recebendo a proteção constitucional, nos artigos 215, caput, e 216, § 1º, que prescrevem: 

“Art. 215.  O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.

 

(…)

 

Art. 216. (…)

 

§ 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.”              

Trata-se, portanto, de bem de natureza difuso, na medida em que  cabe ao Poder Público, o dever de preservar o patrimônio cultural, contando com a colaboração da comunidade, e que referidos bens pertence a todos.   

Dentre os instrumentos de preservação do meio ambiente cultural, previstos na legislação constitucional e infraconstitucional, merecem destaque o tombamento ambiental, a proteção internacional dos bens culturais, proibição a qualquer ato de racismo, garantia de liberdade de crença religiosa, defesa das línguas brasileiras, notadamente a dos indígenas, que representam os povos nativos, e afro-brasileiras, que são importantes manifestações culturais que integram o processo civilizatório  nacional. 

3.  O meio ambiente e a dignidade humana 

A  perfeita harmonia entre o  meio ambiente natural, cultural, do trabalho e artificial,  bens ambientais difusos e coletivos de  uso comum do todos, é que possibilita  a garantia de condições mínimas à qualidade de vida.  

Por sua vez,  o alcance do chamado piso vital mínimo, assegurado na Carta Magna, em seu artigo 6º, que garante  direitos sociais essenciais, tais como, a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o  lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, está diretamente relacionado à preservação de um ecossistema  equilibrado, sem o que, não se pode dar efetividade ao fundamento constitucional que garante a dignidade humana, estampado no artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal.  

Portanto, sem a garantia de meio ambiente saudável e equilibrado, preservado inclusive para as futuras gerações,  não há como se  garantir dignidade à pessoa humana.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] Marcelo Abelha Rodrigues, Elemento de Direito Ambiental, p. 65,  RT, 2005

[2] Celso Antonio Pacheco Fiorillo, Curso de Direito Ambiental Brasileiro, p. 20

[3] Obra citada, p. 67

[4] Obra citada, p. 70

[5] Ob. Cit. p. 223

[6] Ob. Cit., p. 235

[7] Ob. Citada, p. 23

[8] Manual de Direito Ambiental e legislação aplicável,   p. 61

[9] Apud Celso Antonio Pacheco Fiorillo, Ob. Cit.   p. 22

 


 

REFERÊNCIA BIOGRÁFICA 

 

 

CLOVIS BRASIL PEREIRA:  Advogado, com escritório na cidade de Guarulhos (SP); Especialista em Processo Civil; Licenciado em Estudos Sociais, História e Geografia. É Mestre em Direito (área de concentração: direitos difusos e coletivos),  Professor Universitário, lecionando atualmente as disciplinas Direito Processual Civil e Prática Jurídica Civil nas Faculdades Integradas de Itapetininga (SP) e UNICASTELO, São Paulo (SP);  ministra cursos na ESA- Escola Superior da Advocacia, no Estado de São Paulo,  Cursos Práticos de Atualização Profissional e  Palestras sobre temas atuais; é membro da Comissão do Advogado-Professor da OAB-SP; membro da Comissão de Ensino Jurídico da OAB-Guarulhos; é colaborador com artigos publicados nos vários sites e revistas jurídicas. É coordenador e editor do site jurídico www.prolegis.com.br. 

Contato:   prof.clovis@54.70.182.189

Texto extraída da Dissertação de Mestrado do Autor , “A LEGITIMIDADE ATIVA NA AÇÃO POPULAR  AMBIENTAL”, defendida em agosto de 2006, na UNIMES – Universidade Metropolitana de Santos, perante a Banca Examinadora presidida pelo Professor Doutor  Celso Antonio Pacheco Fiorillo.