Os sonhadores dentro do Direito

Artigos e Ensaios 28 de fevereiro de 2008 Luiz Flávio Gomes 0

Luiz Guilherme Marques

JOHN LENNON escreveu: You may say I’m a dreamer but I’m not the only one (Você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único).

Na verdade, toda pessoa tem seu lado sonhador (De médico e de louco todos temos um pouco). Cada ser humano tem um potencial de criatividade, que deve ser aplicado.

Não devemos ser tímidos em lançar idéias, projetos e estilos. Mas, ao invés de estarmos a aporrinhar os outros com nossas sugestões, devemos aplicá-las no nosso trabalho, pô-las em prática no nosso âmbito de atuação.

Não temos meramente que repetir padrões muitas vezes improdutivos e antiquados, mas sim atuar de forma moderna, mesmo que copiando padrões alheios. O importante é que os resultados práticos sejam excelentes.

Os juízes não são meras bouches de la loi (bocas da lei), mas autênticos criadores do Direito, tanto quanto o são os Advogados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos, esses três últimos através de seus requerimentos visando o aperfeiçoamento da estrutura jurídica rumo à verdadeira Justiça.

Quanto a mim, depois de verificar, de sobra, a precariedade das leis (principalmente as processuais), a carência de investimentos na qualificação dos operadores do Direito e a insignificância dos recursos destinados à Justiça em geral, concluí que a única solução para a morosidade processual e demais aspectos negativos da Justiça é única e exclusivamente a Conciliação.

Passei, então, a aplicar maciçamente esse antibiótico jurídico de amplo espectro, curador de todas as mazelas estruturais, que dá às partes o retorno à saúde, ou seja, extingue os conflitos, resolve as pendências entre as partes.

Quando vejo alunos dos cursos jurídicos estudando as regras jurídicas como verdadeira preparação para combater nas lides processuais, penso com pena nesses jovens que, ao invés de serem ensinados a pacificar os conflitos sociais, preparam-se para a missão ingrata de guerreiros, combatentes, amantes da guerra processual entre pessoas.

Os sonhos de paz, sonhos de conciliação e realizações concretas de tranquilização estão acima de questiúnculas processuais e debates bizantinos sobre interpretação de regras jurídicas nem sempre inteligentes e úteis.

Que cada um tenha coragem de sonhar e concretizar seus sonhos.

Quem tiver medo de expor-se, deve procurar sua realização em outras áreas que não o Direito, pois no nosso campo de atuação a exposição é permanente, a ousadia é indispensável e o dia-a-dia exige renovação permanente.

A ideologia de JOHN LENNON para a paz mundial deve ser a nossa para a paz entre as pessoas que nos procuram através dos processos.


REFERÊNCIA BIOGRÁFICA

Luiz Guilherme Marques:  Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora (MG).

Site: www.artnet.com.br/~lgm

Luiz Flávio Gomes

Luiz Flávio Gomes

Jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001).


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