Investimento concreto em cidadania

Artigos e Ensaios 4 de agosto de 2007 Luiz Flávio Gomes 0

OPINIÃO:  * Luiz Guilherme Marques  –  A Associação dos Magistrados Mineiros – AMAGIS divulgou, na edição de 31/07/2007, uma nota intitulada Juíza realiza trabalho social na comarca de Capelinha:

Resgatar a cidadania e a dignidade dos excluídos é o principal objetivo da juíza Lúcia Landgraf, que está há um mês na comarca de Capelinha (Vale do Jequitinhonha). Para isso, ela tem desenvolvido importantes ações sociais em instituições como asilos, orfanatos, e o presídio local. Algumas crianças já foram encaminhadas para adoção, os idosos tiveram seus benefícios regularizados junto ao INSS, e os presos estão produzindo peças de artesanato que são vendidas em feiras realizadas na cidade.

Para manter as instituições, estão sendo promovidas várias campanhas de arrecadação de fundos, como o sorteio de um carro e a aplicação de penas de prestação pecuniária nos casos cabíveis. "Já realizei um trabalho parecido na comarca de Ilhéus, na Bahia, e deu muito certo. Em Capelinha, a comunidade está ajudando muito, todos estão engajados e entusiasmados. Os funcionários também estão comprometidos. Fiquei surpresa", revelou.

Segundo a juíza, hoje a cidade está mais tranqüila e o índice de criminalidade diminuiu. O próximo objetivo é a implantação do método Apac na cidade. "Acredito que o ser humano é essencialmente bom, mas muitos não têm oportunidades na vida. Percebo que, quando recebem atenção, as pessoas mudam. Por isso estou priorizando as ações que têm resultado efetivo", disse. 

Por motivos vários, muitos entendem nada deverem fazer em benefício das pessoas e coletividades porque já pagam impostos aos poderes públicos para que estes os destinem às obras sociais.

É o caso, por exemplo, daqueles que analisam com rigor as omissões governamentais, sem, contudo, realizarem nada em termos de contribuição concreta e pessoal em favor dos cidadãos sem cidadania… Criticam olimpicamente, mas não põem a mão na massa… Evitam tomar conhecimento das desigualdades sociais com um tipo de alergia a coisas desagradáveis…

Realmente, é verdade que os poderes públicos devem reverter em benefício dos cidadãos os tributos que arrecadam. Mas também é verdade que, se nós, cidadãos, cruzarmos os braços, a situação continuará inalterada em termos de gritantes desigualdades sociais… Se não temos um corpo de bombeiros para apagar um incêndio, contribuamos jogando um balde d’água nas labaredas, que estaremos ajudando…

Essas desigualdades, para quem não quer pensar em termos de solidariedade, geram os assaltantes, traficantes de drogas, seqüestradores etc., que nos intimidam principalmente nas grandes cidades…

Dizia CONFÚCIO, há muitos séculos atrás, que, regra geral, as pessoas furtam quando passam dificuldades financeiras…

Ao invés de simplesmente aguardarem as iniciativas governamentais, cidadãos de elevada compreensão social – como a juíza LÚCIA LANDGRAF – realizam trabalhos importantes em benefício de comunidades inteiras no sentido de diminuir as distâncias sociais, culturais e financeiras.

Tudo isso significa investir nas pessoas, contribuir diretamente na sua valorização, integrá-las nos benefícios da Cidadania.

 

REFERÊNCIA BIOGRÁFICA

Luiz Guilherme Marques:  Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora (MG).
Site:
www.artnet.com.br/~lgm

(Dedico este artigo a LÚCIA LANDGRAF, juíza de Capelinha – MG)

 


Luiz Flávio Gomes

Luiz Flávio Gomes

Jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001).


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