Expressões forenses abomináveis

Revista Prolegis 12 de outubro de 2009 Paulo Queiroz 0

* Paulo Queiroz

Acórdão “guerreado”, decisão “hostilizada” e, pior, sentença “vergastada” (quanto exagero! A propósito, vergastar significa golpear com verga, um tipo de vara, isto é, chicotear; sentença “chicoteada”?);

O tema é de “relevante importância” (quanta redundância!);

O direito “pátrio” (claro: para que o leitor não pense no direito árabe ou afegão);

No direito “alienígena” (de marte?);

“Prolegômenos”, “preambularmente”;

“Calha tracejar”; “trazer à baila”, “trazer à fiveleta” (chega a doer o ouvido);

O “ínclito”, “provecto” desembargador;

“O culto”, o “sábio” (dito de modo falso, meramente protocolar ou bajulador);

Ele é um juiz “de grande envergadura” ou, pior, de “envergadura grande”;

“Por oportuno” (em princípio, tudo o é; do contrário, não seria dito);

De acordo com “a melhor doutrina” (melhor, para quem?);

“O de cujo” ou, pior, “o de cujinho”;

“Datíssima vênia”;

“Em sede” de habeas corpus (desnecessário);

“Peça de incoação”;

“Inobstante”, “destarte”, “entrementes”, “outrossim”;

“Não se nos antolha”, “não se nos antoja”;

O magistrado “obrou” em erro (a imagem não é boa);

“Remédio heróico” (tarja preta?);

“Desde priscas eras”;

“Nesse diapasão”;

Como é “de sabença geral”, “não existem palavras inúteis na lei” (por vezes, a própria lei é totalmente inútil);

“Adentrando NO mérito” (o verbo é transitivo direto);

“Faz-se mister”, “no bojo dos autos”, “de outra banda”, “nas pegadas do mestre” etc.

 

REFERÊNCIA BIOGRÁFICA

PAULO QUEIROZ: Doutor em Direito (PUC/SP), é Professor Universitário (UniCeub), Procurador Regional da República em Brasília, e autor, entre outros, do livro Direito Penal, parte geral. Rio: Lumen juris, 2008, 4ª edição

 


Paulo Queiroz


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